
Na prática clínica do médico gastroenterologista, é muito comum atender pacientes com queixas persistentes de dor abdominal, distensão, gases, diarreia ou constipação, muitas vezes já tendo realizado diversos exames sem alterações significativas.
E é exatamente nesse ponto que entra o conceito mais abrangente da medicina integrativa, que aponta o seu "olhar" para o todo e não para apenas uma órgão isolado.
Ao longo dos anos como médica, ficou cada vez mais claro para mim que, em muitos desses casos, a Síndrome do Intestino Irritável não pode ser compreendida apenas como um distúrbio funcional isolado: ela reflete um desequilíbrio mais amplo, no qual a microbiota intestinal exerce um papel central, influenciada por fatores como alimentação, estresse, uso de medicamentos e estilo de vida; e é justamente nesse ponto que uma abordagem integrativa faz toda a diferença.
A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma condição funcional do trato gastrointestinal caracterizada por sintomas como dor abdominal recorrente, distensão abdominal, gases, diarreia, constipação ou alternância entre os dois.
Embora não cause alterações estruturais visíveis nos exames convencionais, a SII está associada a alterações complexas na comunicação entre intestino, sistema nervoso e sistema imunológico.
Nos últimos anos, a ciência tem demonstrado que a microbiota intestinal desempenha um papel central nesse processo.
A microbiota intestinal é o conjunto de trilhões de microrganismos (principalmente bactérias, mas também vírus e fungos) que habitam o trato gastrointestinal. Esses microrganismos não são apenas “passageiros”: eles exercem funções essenciais para o organismo.
Entre suas principais funções estão:
Quando essa comunidade microbiana está equilibrada, contribui para o bom funcionamento intestinal e para a saúde sistêmica. Quando ocorre um desequilíbrio (chamado de disbiose intestinal) podem surgir ou se agravar sintomas gastrointestinais e inflamatórios.
Diversos estudos mostram que pacientes com SII apresentam alterações na composição e diversidade da microbiota intestinal, quando comparados a indivíduos sem a condição.
Esse desequilíbrio pode contribuir para a SII por diferentes mecanismos:
A Síndrome do Intestino Irritável costuma ter origem multifatorial, e a microbiota frequentemente atua como um elo entre fatores ambientais e sintomas intestinais.
Entre os principais gatilhos estão:
Esses fatores podem alterar profundamente a composição da microbiota, favorecendo um ambiente intestinal mais inflamatório e disfuncional.
O estilo de vida contemporâneo tem impacto direto sobre a saúde intestinal: alimentação industrializada, excesso de açúcar, baixo consumo de fibras, estresse constante, privação de sono e uso recorrente de medicamentos são fatores que, juntos, reduzem a diversidade bacteriana e comprometem a função intestinal.
Reconhecer essa influência é fundamental, porque a SII raramente é resultado de um único fator isolado. Ela costuma refletir um conjunto de desequilíbrios acumulados ao longo do tempo.
Promover o equilíbrio da microbiota intestinal é um dos pilares no manejo da Síndrome do Intestino Irritável. Isso não significa apenas “tomar probióticos”, mas sim atuar de forma individualizada e baseada em evidências.
Entre as estratégias possíveis estão:
Quando bem conduzido, esse cuidado pode reduzir dor abdominal, melhorar o padrão intestinal e diminuir a intensidade e a frequência das crises.
A abordagem integrativa permite olhar para a Síndrome do Intestino Irritável de forma mais ampla, considerando não apenas os sintomas, mas também os fatores que contribuem para o desequilíbrio intestinal.
O gastroenterologista com formação em medicina integrativa atua na:
Esse olhar ampliado é essencial para o manejo adequado da SII, uma condição que exige compreensão do intestino como parte de um sistema complexo e interconectado.
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